CAD

CAD: coletivo acervo em diálogo é um grupo de profissionais em formação em diversas áreas do conhecimento. Seus primeiros integrantes foram os mediadores e pesquisadores do Setor Educativo do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM, Recife). Esses atuaram como curadores adjuntos na exposição intitulada contidonãocontido, oraganizada em conjunto com a curadora e crítica de arte Clarissa Diniz e a doutora em Artes Plásticas e Ciência da Arte Maria do Carmo Nino, com participação da especialista em arte-educação Gabriela da Paz, atualmente coordenadora do Setor educativo do Mamam.

Durante o processo de curadoria dessa exposição foram realizadas pesquisas no acervo do Mamam e no arquivo de documentação da mesma instituição, resultando em mapeamentos acerca da presença dos artistas pernambucanos que estão “contidos”[1] , como preferimos denominar, na Coleção MAMAM e ainda um levantamento dos artistas pernambucanos que não possuem, na atualidade obras no acervo do Museu.

Tal cartografia desenhada por essa pesquisa esboçou um desenho que levou-nos a refletir, entre outros temas, sobre os mecanismos, modos de fazer e processos de legitimação da arte produzida em Pernambuco, principalmente, por meio da formação do acervo do Museu, e, da eleição de coleções que ao longo dos anos de vida do Museu tem recorrentemente se revelado ao público.

Ao longo do período dessa pesquisa inicial, voltada para a organização da exposição já referida acima, os pesquisadores foram se deparando com fontes documentais das mais variadas e que produziam informações e interpretações da história da arte feita em Pernambuco de maneira fragmentada, resultado da documentação visitada e presente no acervo da instituição. Muitas perguntas começaram a ser formuladas e dessas plasmou-se as questões para enfrentarmos o desafio de estudar o acervo.

Não obstante, aos poucos um quebra cabeça iria se formando e uma certeza se constituindo, que durante a formação do Acervo das obras dessa respectiva instituição, não houve um estudo sistemático crítico sobre as obras que eram adquiridas, tão pouco uma preocupação por parte da mesma instituição[2] no recolhimento e sistematização de informações gerando uma documentação mais coesa para futuras pesquisas. Verificou-se, portanto, que o MAMAM possui em seu acervo documental, esparsos registros sobre os artistas que fazem parte da sua Coleção, assim como raros registros documentais sobre a maneira que sua coleção foi formada. Enveredamos pelos sinais, rastos, vestígios os mais efêmeros para aos poucos compor uma teia interpretativa.

Com base nesse histórico acima narrado e nas nossas percepções, formou-se um grupo de pesquisa intitulado por CAD: coletivo acervo em diálogo, em fevereiro de 2011.

CAD configura-se como um coletivo independente e elegeu como lócus de sua pesquisa o acervo de obras e acervo documental do MAMAM. Objetiva, no horizonte maior de sua abrangência, pesquisar o processo de formação do acervo de obras; refletir quais os caminhos percorridos e, quais práticas foram adotadas na construção de uma política de formação de acervo para a Instituição.

Certamente que desdobramentos serão gerados quando o grupo se afinar mais com a documentação e com a produção da arte contemporânea atual.

Nossa primeira mirada aponta para processos de deslocamentos, fissuras, repetições e diferenças nos diversos modos de fazer e produzir uma “política de formação de acervo de arte para a instituição”. Tais deslocamentos nos parecem que provocaram anonimatos, predileções, esquecimentos e exacerbações de algumas produções, movimentos, estilos e artistas dentro da coleção em formação. Nesse sentido, esse processo é parte do nosso interesse de pesquisa.

Diante desses desafios iniciais, resolvemos ampliar o grupo de pesquisadores abrindo um chamado publico aos interessados em integrar o coletivo de pesquisa. Atualmente estamos com um coletivo formado por estudantes e profissionais de diversas áreas de conhecimento, a saber: artes, história, sociologia, museologia e letras. Somos 11 pesquisadores, uma orientadora que sou eu e Clarissa Diniz como assessora.

Atuamos com:

  • A formação do coletivo: programa de leituras + palestras + visita a exposições + freqüência no cinema.
  • Leituras e escritas de textos
  • Pesquisa direta no acervo do museu – produção de um mapa cartográfico dos artistas que estão contidos no acervo – prazo de termino final de 2011
  • Disponibilizar a pesquisa produzir textos críticos e publicar – meta

Reunimos-nos 1 vez por mês e os pesquisadores semanalmente pesquisam no acervo.


[1] Leia-se inseridos, contudo nomeamos contido como tomada de  partido conceitual ao termo utilizado na mostra “contidonãocontido”.

[2] Por muitas razões, evidentemente. Conquanto, o que é sinalizado até o momento é que alguns gestores, entre tantos, se revelaram mais sensíveis e demonstraram preocupação com a guarda e conservação da documentação, contudo, em meio a gestões fragmentadas e por vezes interrompidas pelo fluxo da dinâmica política das trocas dos cargos majoritários, tais preocupações esmaeciam-se.

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